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Edição: 2025

Experimento Fúria

“Experimento Fúria” propõe uma tradução audiovisual para o tema “Raízes profundas: a floresta de cabeça pra baixo”. Nossa obra investiga a fúria não como ódio, mas como a força vital e subterrânea que permite à vida romper, resistir e transmutar. Partimos de duas raízes profundas que nos constituem: a memória ancestral indígena, pulsante no corpo Kaiowá, e a resiliência de uma comunidade urbana de luta, o Pinheirinho dos Palmares (SP). Este trabalho é a história de como essas raízes, aparentemente invisíveis sob o asfalto, sustentam uma floresta de identidades e afetos.

Na fachada do Museu Municipal, a obra irá cartografar este encontro. A arquitetura do prédio será tratada como um corpo-território, uma pele que será tensionada e ressignificada. Visualmente, exploraremos a metáfora da “floresta invertida” através de animações que revelam um subsolo pulsante. Raízes digitais, tecidas com texturas de nossa horta comunitária e grafismos inspirados na iconografia Kaiowá, crescerão pelas paredes, rachando a superfície do concreto e revelando camadas de memórias. A “fúria” se manifestará em momentos de explosão visual, onde a luz satura e as formas se transmutam, simbolizando a germinação e o levante contra o apagamento.

A narrativa visual criará uma fricção constante entre o orgânico e o urbano: imagens da nossa comunidade em São José dos Campos serão sobrepostas e atravessadas por essa vegetação digital resiliente. A projeção não busca apenas ocupar, mas dialogar com o espaço, transformando a fachada em um portal que conecta a luta de um território em São Paulo com a importância vital do Cerrado. A trilha sonora, original, mesclará cantos tradicionais com os ruídos e as vozes da nossa comunidade, criando uma paisagem sonora que reflete essa simbiose entre o ancestral e o contemporâneo (caso seja possível o recurso de áudio).

Nossa obra explora a “floresta de cabeça pra baixo” na própria biografia de Anriih Kaiowá. Sua ancestralidade é, ironicamente, a imagem de uma raiz invertida: pelo sistema, foi-lhe negado o acesso direto às suas origens. Filho de mãe ribeirinha, mas apartado dessa criação e território, sua existência se torna um ato de escavação, uma performance que questiona: o que é uma raiz indígena quando ela é forçada a crescer para dentro, nutrindo-se de fragmentos de memória e da luta por reconhecimento, em vez do contato direto com a terra? Sua identidade é essa raiz profunda, invisível e resiliente, que sustenta um corpo em constante busca e afirmação no tempo e espaço urbano e contemporâneo.

MICORRIZAS: CONEXÃO ANCESTRAL

Na obra “MICORRIZAS: CONEXÃO ANCESTRAL”, trouxemos a raiz como elemento fundamental para a vida no cerrado e sua atuação não somente como objeto exclusivo de si. Raízes antigas buscam recursos para todas as plantas ao seu entorno, e, por sua vez, alimentam a vida do bioma, como uma anciã que conecta as tradições de um povo. Seu aspecto visual nos remete a diversos outros elementos presentes no universo, como veias, artérias, neurônios, micélios e fractais, que também possuem importâncias vitais nos sistemas dos quais fazem parte. Através de abstrações, estabelecemos essas conexões e levamos o espectador a uma viagem por esses tortuosos e brilhantes caminhos.

Dança Cósmica

Inspirada pela voz e pensamentos do imortal Ailton Krenak, guiada pela sabedoria das Plantas Mestras, Dança Cósmica é um lembrete: somos todos a natureza, terrestre e cósmica, visível e invisível, somos todos parte de uma grande e fantástica dança.

Com a certeza de que somos todos um, entrelaçados entre si nas raízes da terra e do cosmos, Dança Cósmica é um chamado ao fruir da existência e uma celebração à sabedoria invisível das plantas, cujas raízes sustentam a vida subterrânea e ensinamentos revelam caminhos de cura e ancestralidade.

revolta das rAIzes

Um prédio. Não qualquer um.
De pé há tanto tempo que já esqueceu que tem chão.

Mas o chão lembra.

revolta das rAIzes é uma micro ópera visual sobre o que acontece quando a terra decide se movimentar. Não com terremoto — mas como raiz. Uma raiz que pensa, que irriga, que sente, que lembra.

Ao longo de três minutos, vemos essa arquitetura ser tomada por formas ancestrais: raízes profundas que invadem, cobrem e reconfiguram a fachada. A cada rachadura, emerge um grafismo, um padrão dos povos originários do Cerrado, como se a própria parede estivesse sendo tatuada por memórias.

Aos poucos, essas marcas começam a brilhar. A tecnologia aparece, mas não como invasão — e sim como continuidade do que já existia ali antes. Neon tribal, formas retrofuturistas, uma espiritualidade codificada.

Mas como tudo que vira símbolo, o fogo vem. O prédio queima. Colapsa. Vira cinzas.

E é aí, no que sobra, que começa o mais importante: um broto.

Suspiro-Respiro

Suspiro-Respiro representa uma filosofia que questiona a conexão humana com tudo o que a envolve. A partir da linha do horizonte, propõe um olhar sobre a natureza filtrado por uma percepção humana isolada. É uma abordagem poética e transmídia de um mundo onde o ser humano, convencido de que tudo está em ordem sob a sua perspectiva, não percebe que é ele quem permanece desconectado. Enquanto o entorno —o cosmos— mantém-se em equilíbrio e profunda harmonia, é o observador quem, sem saber, contempla o mundo de cabeça para baixo.

Este projeto foi concebido em 2019 com o propósito de documentar o impacto do aquecimento global nos Alpes italianos, especificamente nas Dolomitas. Realizado antes de quatro anos consecutivos de seca em Itália, antecipa um diálogo visual sobre as mudanças climáticas e o seu efeito nos cenários montanhosos.

Os frames são uma referência ao ciclo vital: Terra, Água, Fotossíntese, Ar e Vida.

Nyambiá

A obra mergulha nas camadas simbólicas e espirituais do Cerrado Mineiro. Com luzes, texturas e sons, “Nyambiá” evoca a presença de uma entidade ancestral que habita raízes, frutos e ventos do território. A criação propõe uma experiência imersiva em que natureza e espiritualidade se entrelaçam, revelando o Cerrado como espaço de memória, força e transcendência.

Boca do sapo

Nada cresce no vazio, tudo brota nas raízes é uma obra de videomapping criada especialmente para dialogar com o tema “raízes profundas: a floresta de cabeça pra baixo” do Cerrado Mapping Festival. Inspirada pela força oculta das raízes do Cerrado, a peça transforma a fachada em um organismo vivo: do solo seco e das fissuras brotam raízes que atravessam o concreto, evocando não só a resistência natural do bioma, mas também as histórias, afetos e lutas das comunidades que habitam essas terras.

A cada cena, elementos visuais e sonoros celebram a ancestralidade, a cultura popular, a resiliência diante das adversidades e o papel essencial do Cerrado no equilíbrio das águas e do clima.
A obra propõe um mergulho poético e sensorial: entre o silêncio da seca e a explosão da vida, revela-se que tudo o que floresce nasce do subterrâneo — daquilo que se conecta, sustenta e renova.

Aqui, o vazio é solo fértil para o renascimento. As raízes — visíveis e invisíveis, naturais e culturais — nos lembram que a força do Cerrado está, sobretudo, no que permanece de pé sob a terra.

Tramas

O Cerrado é uma floresta de cabeça para baixo. À primeira vista, sua paisagem pode parecer modesta, mas o que os olhos não veem é a grandiosidade que acontece debaixo da terra: faço aqui uma relação entre o Cerrado brasileiro e suas raízes profundas, às raízes culturais presentes no artesanato regional, especialmente na tecelagem com fibras naturais. Assim como as raízes criam nascentes e sustentam a vida no bioma a fora, as tradições artesanais mantêm viva a identidade do povo e se espalham como água fina, de geração em geração, silenciosamente. Preservar o Cerrado é também valorizar sua cultura, suas histórias e os saberes ancestrais, reconhecendo que natureza e cultura estão entrelaçadas como fios de palha, como raízes profundas, ou como as nascentes de um rio escondido.
Na obra, começamos com a paisagem do cerrado e passamos para o subsolo, no mundo invertido. As mãos de um tecelão se misturam as raízes, ele tece um cesto mágico que revela a água. Simbolicamente, suas mãos viram patas de caranguejo e somos convidados a uma viagem surrealista.

RAIZES

A obra BARDINI + MAKSUARA – RAIZES propõe uma reflexão sobre a atualidade do bioma cerrado do ponto de vista dos povos indígenas Guarani, Terena e Kadiwéu.

Natural_Vinicius Luz

Olhar multidimensional sobre o cerrado, coração das águas do Brasil. Num mundo onde os processos técnicos estão se tornando obsoletos, apenas a imaginação humana tem o poder transformador de comunicar emoções que a máquina jamais conseguirá reproduzir. Negacionistas da tecnologia temem serem substituídos, mas não existe mais volta, tarde demais. O processo que hoje é chamado de artificial, na verdade é muito mais natural do que se imagina. Acreditar que algo é artificial só porque não compreendemos, não significa que isso de fato não seja natural. Quando será que teremos máquinas com emoções tão naturais como as humanas?