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Tramas

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O Cerrado é uma floresta de cabeça para baixo. À primeira vista, sua paisagem pode parecer modesta, mas o que os olhos não veem é a grandiosidade que acontece debaixo da terra: faço aqui uma relação entre o Cerrado brasileiro e suas raízes profundas, às raízes culturais presentes no artesanato regional, especialmente na tecelagem com fibras naturais. Assim como as raízes criam nascentes e sustentam a vida no bioma a fora, as tradições artesanais mantêm viva a identidade do povo e se espalham como água fina, de geração em geração, silenciosamente. Preservar o Cerrado é também valorizar sua cultura, suas histórias e os saberes ancestrais, reconhecendo que natureza e cultura estão entrelaçadas como fios de palha, como raízes profundas, ou como as nascentes de um rio escondido.
Na obra, começamos com a paisagem do cerrado e passamos para o subsolo, no mundo invertido. As mãos de um tecelão se misturam as raízes, ele tece um cesto mágico que revela a água. Simbolicamente, suas mãos viram patas de caranguejo e somos convidados a uma viagem surrealista.