A Teia do Sertanejo
No cerrado, as aranhas tecem suas teias durante a noite: estruturas quase invisíveis à luz do dia que se revelam quando iluminadas. Riobaldo também construía seus caminhos na escuridão, deitado diante do fogo, imaginando estratégias antes de seguir viagem. A instalação transforma essa ideia em uma experiência imersiva de suspensão, onde o visitante desacelera, deita nas redes e percebe que está inserido em uma grande teia viva de luz, imagem e reflexão.
Ao longo do percurso, um jardim de televisores de tubo emerge entre a vegetação como se brotasse do próprio terreno. As telas espalhadas entre árvores e arbustos emitem imagens sincronizadas que parecem contaminar a paisagem, criando um organismo audiovisual que conecta tecnologia e natureza. O caminho torna-se uma transição gradual entre o mundo físico e realidade construída por sinais eletrônicos, conduzindo o visitante até o centro da instalação.
Ao chegar ao espaço central, lasers invadem o ambiente em diferentes alturas, desenhando planos e volumes no ar. Espelhos instalados nas árvores e no solo refletem e multiplicam esses feixes, criando uma geometria tridimensional de profundidade aparentemente infinita. O que inicialmente parece ser um único raio desdobra-se em dezenas, formando uma teia luminosa em constante transformação.
No centro da clareira, redes convidam o público a permanecer. Deitado, o visitante observa as linhas de luz cruzando o espaço enquanto as imagens dos televisores continuam pulsando ao redor, fazendo da floresta um grande organismo eletrônico onde paisagem, memória e tecnologia se entrelaçam.
Artistas: tttttuto Colab com Homem Gaiola





