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Sob a Pele do Sertão

Luca Agnani

“Sob a Pele do Sertão” transforma a fachada em uma pele viva da terra. A obra parte de uma superfície árida, seca e fissurada, marcada pela ausência de água e pela força do tempo. A arquitetura torna-se uma matéria de solo, como se o edifício revelasse a condição visível do Sertão: silêncio, resistência e espera.

A partir dessa superfície, surgem raízes profundas que atravessam a terra em busca de água. O encontro entre raízes e água gera uma luz interior, entendida como força espiritual, mas sem representação religiosa direta. Essa luz percorre as raízes e retorna à superfície, revelando que, sob a aridez aparente, existe uma vida oculta, persistente e transformadora.

No último momento, as raízes se entrelaçam e fazem surgir, de forma sutil, o rosto de uma mulher: uma presença de Mãe Terra formada apenas pela própria matéria orgânica. O rosto não aparece como figura humana literal, mas como uma memória da terra, delineada por raízes, luz e sombra. A obra propõe uma leitura poética do tema “Sertão – Sempre Viva”: mesmo quando tudo parece seco, a terra conserva água, memória, cultura e vida.