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Sertão no Papel

Jonathan de Almeida

A obra parte de um recorte histórico, o final do século XIX, quando a Grande Seca de 1877-1879 consolidou no imaginário nacional a imagem do sertão como lugar de catástrofe e sofrimento. A projeção ocupa a fachada do Museu Municipal, transformando a arquitetura em suporte para manchetes de jornais mineiros que registraram a seca, os fluxos migratórios, fragmentos tipográficos e textos literários.

A narrativa visual desmonta a rigidez do prédio, dissolvendo as palavras dos jornais em texturas que se reorganizam como livro. A obra parte da notícia, mas as letras se transformam: as palavras sobre o sertão dão lugar ao imaginário criado pela literatura. O sertão que os jornais noticiaram como catástrofe e o sertão que Guimarães Rosa e outros autores mineiros transformaram em linguagem, tempo vivo e fluxo.

A palavra no papel, jornal e livro, como suporte da memória e da imaginação. E projeção chega como uma forma de revelar o que foi dito, o que foi escrito e o que persiste como potência literária.
Tecnicamente, a obra utilizará materiais de arquivo,edição de vídeo, motion graphics e animação 2D integrando-se à arquitetura por meio do video mapping.