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Há saberes que atravessam o tempo sem jamais terem sido escritos. Permanecem vivos nos gestos, na fé, nos silêncios e nas histórias compartilhadas entre gerações. É desse território sensível que nasce “Fía”.
A obra percorre a ancestralidade feminina por meio de símbolos como o fio, a vela, a terra e as mãos, revelando a memória como um conhecimento vivo, transmitido de geração em geração. Ao atravessar os ciclos da existência, “Fía” compreende a vida, a morte e a permanência como partes de um mesmo tecido, onde cada passagem não representa um fim, mas a continuidade de uma história que segue sendo tecida por quem permanece.
Nesse percurso, a obra encontra o sertão não apenas como paisagem, mas como experiência humana. Um território moldado pela resistência, pela fé e pela convivência cotidiana com a finitude, onde o drama da existência convive com o encantamento e onde lembrar também é uma forma de permanecer.
Realizado originalmente em película Super 8, o filme circulou por festivais de cinema e recebeu o prêmio de Melhor Direção de Arte no Festival de Mulheres+ no Cinema, em Maceió (AL). Agora, inicia uma nova travessia ao ser recriado para a linguagem da projeção mapeada, propondo não apenas uma adaptação, mas a transmutação de uma obra cinematográfica para a arte do video mapping, preservando sua essência poética enquanto explora novas formas de narrar por meio da luz, da imagem e do espaço.