Diadorim
Le Pantoja
Produzida especialmente para participar do Cerrado Mapping Festival 2020 e editada para fachada de Uberlândia em 2026, a obra é fruto de um intensa pesquisa da artista visual Leticia Pantoja sobre Diadorim, herói andrógino cheio de labirintos e mistérios, do livro “Grande Sertão: veredas”(1956) de João Guimarães Rosa. Na performance a artista deita um olhar sob as falas dos personagem que acendem questionamentos sobre gênero, Deus e diabo, feminino reprimido e machismo e sua relação com as paisagens e o bioma natural do cerrado brasileiro. Percorrendo as aventuras do cangaço vividas e cenários narrados pelos personagens,a artista recriou em vídeo-colagens mapeadas os momentos marcantes da história de Diadorim, trazendo para cena as veredas, o sertão, os buritis e mandacarus, a Serra do Espinhaço, os rios verdes, o urutu-branco e manuelzinho-da-crôa, além de muitos outros ícones da fauna e a flora mostrados no clássico da literatura. A pesquisa artística da Leticia Pantoja busca explorar temas femininos e ancestrais, o que a levou a se encantar pela história de Diadorim, clássico mito da donzela guerreira, impelida pelo pai a adotar a configuração masculina para se proteger e crescer no meio dos jagunços, assumindo uma personalidade andrógina. A obra lança assim questionamentos sobre a frequência com que as mulheres tem que “se travestir” de uma energia masculina para obter respeito diariamente mesmo nos centros urbanos do século 21. Através de colagens analógicas e digitais, sons e poesia a artista conta essa história do feminino sufocado, da coragem de uma mulher, da paixão impossível por Riobaldo e a sede de vingança pela morte do pai, Joca Ramiro. A trilha sonora, criada pelo produtor musical Gabriel Souto, foi produzida exclusivamente para a performance e somada, a pontos de boiadeiro, aos sons extraídos do bioma local e trechos da primeira versão em película do filme inspirado no livro.