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Calango-frito

Polvo Studio

Antes dos mapas, o sertão já existia nas águas das veredas, nos buritis, nos rios e na memória dos povos indígenas que aprenderam a ler a terra. É desse universo que nasce uma travessia guiada por duas forças antagônicas: de um lado, a cobiça, a descrença e o desejo de dominar a natureza em busca do ouro; de outro, a sabedoria ancestral que reconhece nos rios, nas plantas, nos animais e nas palavras antigas um conhecimento impossível de ser comprado.

Enquanto a jornada avança do povoado de Calango-Frito em direção ao Rio Paranaíba, essas duas visões percorrem a mesma paisagem, ora em confronto, ora em diálogo. Entre histórias de um cachorro que vale mais que homens pelo peso das moedas, ecos da resistência dos povos indígenas, o mistério das veredas e os encantamentos da mata, o sertão revela-se não apenas como território, mas como um espaço de memória, espiritualidade e transformação.

Em uma narrativa que entrelaça cordel, tradição oral e referências ao universo rosiano, a busca pelo ouro torna-se também uma busca por sentido. A travessia conduz à descoberta de que a verdadeira riqueza não repousa nas areias dos rios, mas na capacidade de escutar a linguagem da terra, reconhecer a memória que resiste em cada vereda e compreender que o sertão continua vivo onde ainda sobrevivem seus rios, suas histórias e seus povos.

A composição visual proposta aborda figuras do imaginário sertanejo em composições de texturas analógicas, ruídos de película, 3D low poly, sobreposições gráficas e animações inspiradas na xilogravura dos cordéis. As formas do Cerrado dialogam entre colagens de diferentes técnicas visuais, com cortes e contrastes que remetem à gravura popular, criando uma paisagem animada onde memória, mito e território se projetam como imagens vivas sobre a arquitetura e o espaço das projeções.