VJ Le Pantoja
Le Pantoja
DIADORIM: feminino em veredas (LETICIA PANTOJA) 3’13’ ‘Produzida especialmente para participar do I Cerrado Mapping Festival (ago/2020), aobra é fruto de um intensa pesquisa da artista visual Leticia Pantoja sobre Diadorim,herói andrógino cheio de labirintos e mistérios, do livro “Grande Sertão: veredas”(1956) de João Guimarães Rosa. Na performance a artista deita um olhar sob falas dopersonagem que acendem questionamentos sobre gênero, Deus e diabo, femininoreprimido e machismo e sua relação com as paisagens e o bioma natural do cerradobrasileiro.Percorrendo as aventuras do cangaço vividas e cenários narrados pelos personagens,a artista recriou em vídeo-colagens mapeadas os momentos marcantes da história deDiadorim, trazendo para cena as veredas, o sertão, os buritis e mandacarus, a Serra doEspinhaço, os rios verdes, o urutu-branco e manuelzinho-da-crôa, além de muitosoutros ícones da fauna e a flora mostrados no clássico da literatura.A pesquisa artística da Leticia Pantoja busca explorar temas femininos e ancestrais, oque a levou a se encantar pela história de Diadorim, clássico mito da donzela guerreira,impelida pelo pai a adotar a configuração masculina para se proteger e crescer no meiodos jagunços, assumindo uma personalidade andrógina. A obra lança assimquestionamentos sobre a frequência com que as mulheres tem que “se travestir” deuma energia masculina para obter respeito diariamente mesmo nos centros urbanos doséculo 21.Através de colagens analógicas e digitais, sons e poesia a artista conta essa história dofeminino sufocado, da coragem de uma mulher, da paixão impossível por Riobaldo e asede de vingança pela morte do pai, Joca Ramiro.A trilha sonora, criada pelo produtor musical Gabriel Souto, foi produzidaexclusivamente para a performance e somada, a pontos de boiadeiro, aos sonsextraídos do bioma local e trechos da primeira versão em película do filme inspirado nolivro.